
A sociedade sabe que tem pesquisa brasileira na soja?
Você sabia que há ciência brasileira por trás da soja que chega à sua mesa? Saiba o que vimos no CBSoja e por que comunicar ciência é fundamental.
Entre os dias 21 e 24 de julho de 2025, estivemos na 10ª edição do Congresso Brasileiro de Soja (CBSoja), realizado em Campinas (SP). O evento aconteceu na Expo Dom Pedro, dentro do mesmo complexo do Shopping Dom Pedro — um dos maiores da cidade. E essa é uma informação importante para o questionamento se a sociedade sabe sobre a pesquisa brasileira na soja.
O que a sociedade sabe sobre a pesquisa brasileira na soja?
Durante o evento, decidimos ir até a praça de alimentação do shopping conversar com pessoas que estavam ali, alheias ao universo da soja.
Quando perguntamos se elas tinham alguma curiosidade sobre plantação de soja, as respostas foram quase unânimes: “nunca parei pra pensar sobre isso” ou “sei que o Brasil exporta soja”. Em alguns casos, a percepção era até negativa: como se o Brasil produzisse para exportar o que é bom e ficasse com o que é ruim.
A desconexão entre ciência e sociedade
Essa não é a primeira vez que fazemos esse tipo de abordagem. Já foram muitas ao longo dos 10 anos em que trabalhamos com divulgação científica. E a conclusão costuma ser sempre parecida: muitas pessoas não sabem que existe ciência, pesquisa e tecnologia por trás da produção de alimentos no Brasil. Não conhecem os pesquisadores. Nem imaginam o quão avançada é a pesquisa agrícola no país.
A pesquisa brasileira na soja
Enquanto isso, dentro do congresso, cruzamos corredores repletos de cientistas, estudantes e profissionais do agro. Gente que respira ciência e dedica a vida a entender como produzir mais, com mais sustentabilidade e menos impacto ambiental.
No CBSoja 2025 foram apresentadas décadas de pesquisa para o desenvolvimento de cultivares adaptadas, práticas agrícolas mais eficientes, automação das lavouras, biotecnologia, bioinsumos, segurança alimentar, Inteligência artificial e até a regulamentação dessas tecnologias.
Mas do lado de fora da bolha científica, existe a dificuldade em conectar esses termos. E é por isso que precisamos falar sobre ciência — mas de formas diferentes.
O Relatório da Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil (2023) mostra que cerca de 60% da população tem interesse por ciência e tecnologia, mas muitas dessas pessoas não sabem onde encontrar conteúdos acessíveis e confiáveis.
Por isso, comunicar ciência é urgente.
Não estamos falando apenas de tornar o conhecimento mais palatável. Estamos falando de dar visibilidade à pesquisa brasileira, de aproximar as pessoas dos cientistas. De mostrar que por trás de cada grão, de cada inovação no agro, tem gente fazendo perguntas, testando hipóteses, enfrentando desafios e buscando soluções.
Comunicar ciência é valorizar o que é nosso.
A divulgação científica é uma ponte. E essa ponte precisa ser sólida o suficiente para conectar laboratórios, lavouras, escolas, indústrias e casas.
Durante o evento, produzimos conteúdos especiais contando a história da soja no Brasil — da domesticação à biotecnologia. Conversamos com pesquisadores, conhecemos inovações e reforçamos o nosso compromisso com a divulgação científica.
Existe uma grande oportunidade de fortalecer a confiança da sociedade nos cientistas brasileiros. Mas isso só será possível se dermos visibilidade ao que é feito aqui. Se mostrarmos, com linguagem acessível, os avanços que são debatidos em congressos como o CBSoja.
Quer levar histórias como essa para mais gente? A gente mostra como a ciência brasileira pode (e deve) ser contada de um jeito claro e envolvente.

Descascando a Ciência
O Descascando a Ciência é uma agência de comunicação científica dedicada a traduzir conhecimentos complexos em conteúdos claros e envolventes para diferentes audiências. Nossa importância da inovação na produção de alimentos.
Fundado em 2016 como um blog voltado à divulgação científica, o Descascando a Ciência evoluiu.